



Imagine só, use-me como base. Alienígena em meu próprio planeta, tão só, tão desnaturada e vaga, severa e solitária, ando perdendo os traços e os sentidos. Minha pele não mais se arrepia ao toque, meus olhos são escuros como vinho e vivo a aglomerar mágoas, pelas palavras não ditas. Mágoas pelos lábios que não provei, pelos textos que não li, pelo mar no qual não mergulhei, pelo amor que rejeitei por medo, pela orquídea que murchou no portão, junto de um bilhete, molhado e não lido. Talvez alguém de outra dimensão tenha lido por curiosidade e se comovido, assim espero. O arrependimento mais amargo é aquele que provêm de caminhos não trilhados, mas, cogitados. só fica o velho “e se” estampado nos jornais, nos quadros da copa, na toalha da mesa, no prato de sopa, mais dolorido que todos os nãos. Apenas uma interjeição reverbera na cabeça, e sei que você também deve conhecer. Não estou pronta. Até daqui a 125 dias, meu amor
Nós tínhamos tantos futuros para serem soterrados

BLCK 💎